terça-feira, 8 de julho de 2008

DEMOCRACiA E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO



Esta semana os professores da rede pública estadual suspenderam um greve que durou 19 dias, embora estejam ainda em estado de greve e em negociação com o Governo Paulista.
A publicação do decreto 53037, que trata da contratação temporária de professores, da remoção entre escolas e das faltas ao trabalho por parte destes profissionais levou os docentes à greve.
Impressiona o fato de a sociedade braseira vir ultimamente fazendo o discurso de que o Brasil precisa de Educação, e, mesmo assim, a greve não ter merecido, sobretudo por parte da imprensa, uma reflexão mais funda, que permitisse ao cidadão um posicionamento e, principalmente, certo conhecimento sobre por que caminhos trafega a política educacional do Governo de plantão. Não fosse pelos transtornos causados, ao já caótico trânsito na cidade de São Paulo, o movimento dos professores talvez não tivesse conquistado nenhuma linha na imprensa, nem um segundo nas pautas de rádio e TV. Um evidente paradoxo.
Naturalmente os professores reinvidicam mudanças no decreto para fruírem da liberdade de escolherem escolas cujo projeto pedagógico mais lhes seja azado, para que a estrutura estatal possa absorver os professores temporários, que já atuam na rede, através de concurso apropriado a este fim e sobretudo pelo direto de tratarem adequadamente de sua saúde quando a mesmas se encontrar prejudicada.
Por mais estranho que possa parecer o Governo Serra tem tentado impedir que os professores exerçam o sagrado direito de se ausentarem do trabalho para tratamento de saúde, já que o decreto em questão sanciona professores que tiverem mais de dez falta de qualquer natureza, que gozem de qualquer tipo de licença (inclusive licença médica, licença prêmio, licença nojo); o que fere frontalmente o direito do trabalhador, para não falar no direito da pessoa.
Ao regulamentar a possibilidade de contratar funcionários temporários por meio de concurso público para a Educação, o Governador ignora que a formação do docente se dá também no exercício do trabalho, na elaboração e aplicação de projetos pedagógicos em casa escola e também pelos cursos de formação. Trata-se portanto de uma formação de longo prazo, a que os trabalhadores temporários não terão acesso, configurando-se assim em trabalhadores de segunda classe, sem o direito à estabilidade e perspectiva de carreira. Ou seja, de todas as formas, os professares da rede pública estadual vão sendo aos poucos coisificados pela atual administração, cabe notar ainda, que o correligionário político do Governador e Alcaide da cidade mais rica e populosa do país já lhe segue os passos.
Na prática o Estado abandonou por vários séculos importante parcela da população, aquinhoando-as com a falta de saneamento básico, de acesso à saúde ao transporte público digno de seres humanos, e a falta de perspectivas pessoais e profissionais, e espera atualmente que a escola, superlotada e com seus professores amordaçados pela força da lei e pela burocracia possa arranjar esta situação.
O célebre educador Paulo Freire, citado e recitado por políticos que fazem da Educação pública máquina de geração de votos por meio de uma política de marketing, dizia que educar é humanizar, mas onde está o status de pessoa, de sujeito do aprendizado de que deve gozar os professores?
Chama a atenção a apatia da sociedade brasileira e da mídia diante de tão graves questões, da tentativa pelo Governo do estado de São Paulo de maquiar a desumanidade a que são legadas crianças que freqüentam as salas de aula nem sempre conseguindo lograr sucesso, ao cupabilizar os professores pela falência de sua política educacional.
Suspensa a greve da rede pública estadual de ensino, resta-nos questionar aos nossos botões, mas também aos nossos vizinhos, aos nosso concidadão, que projeto de educação defendemos nós, uma nação que pretende galgar os degraus da igualdade e do desenvolvimento (sobretudo humano). Se o professor não ocupa lugar central em nosso projeto de educação e de sociedade, que papel ele deve desempenhar? O de doente, deprimido e amordaçado? O de portador de diversas síndromes de etiologia pscicoemocionais por lidar com salas de aulas superlotadas e pela frustração de não poder humanizar em sala de aula crianças desumanizadas pelo abandono do poder público? Qual o nosso papel na construção desta sociedade ?
Independentemente das respostas, resta-nos a alegria de ter podido verificar que aqueles que se dedicaram anos à fio para se prepararem e, assim, entregarem-se ao preparo de nossos filhos tiveram a dignidade de irem a luta pelo direito de serem pessoas, de humanizarem a atividade humanizadora da educação. Quanto a nós, estamos exercendo o silêncio que sempre se manifesta nos regimes de força como no Nazismo alemão, e em tantas ditaduras em todo o mundo.
Viva a liberdade de expressão e a cidadania brasileiras.

Hilário Bispo
Escritor e Jornalista

terça-feira, 24 de junho de 2008


Ocaso de Outono

Numa tarde de ocaso do outono banho a alma com belezas ao ouvir Milton Nascimento interpretando entre outros gênios brasileiros da composição, Catulo da Paixão Cearense e Edu Lobo e Chico Buarque, além de composições próprias. Acompanhado por instrumentas não menos geniais do que os compositores citados, uma das mais belas vozes do Planeta vai preenchendo o ar da casa e minha alma.
Pela janela do apartamento de onde, Oculto espio o mundo em sua azáfama, vejo o pátio de uma escola estadual em festas juninas. Lá embaixo um grupo de crianças, organizado por uma professora, vestido de lavadeiras e pescadores fazem um círculo em torno de uma rede que imita um lago. As meninas com bacias simulam movimentos de uma lavadeira à beira de um rio que quase posso ver, os meninos de vara de pescar em punho mimetizam movimentos de um pescador a tirar o alimento da água sem suspeitar que alimentam também a alma de um poeta. O balé se dá ao som de Marisa Monte interpretando a música “Ensaboa” outrora tão bem cantada por Cartola, gênio da Estação Primeira de Mangueira.
Como beleza e tristeza são gêmeas siamesas leio na internet a notícia da morte de Jamelão, outro gênio da música, outra das mais belas vozes do Planeta. Aos 95 anos o interprete, que também é uma jóia da Estação Primeira de Mangueira, Poe ponto final à grande canção da vida.
Nascido José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão espalhou alegrias e belezas dando vida à poesia de compositores como Lupicínio Rodrigues, Dorival Caími e Guilherme de Brito, mas sobretudo à alma brasileira.
Mas não há motivo para luto. Resta a alegria de termos visto uma vida que se caracteriza pela vitalidade de um homem que, com mais de 92 anos ainda fazia shows e encantava platéias, e que se pautou pelo apreço à beleza e à harmonia da melhor música brasileira.Lá embaixo, no pátio da escola estadual as crianças continuam seu balé, sua homenagem involuntária à alegria e à fina flor da Estação Primeira de Mangueira.

Ocaso de Outono

Numa tarde de ocaso do outono banho a alma com belezas ao ouvir Milton Nascimento interpretando entre outros gênios brasileiros da composição, Catulo da Paixão Cearense e Edu Lobo e Chico Buarque, além de composições próprias. Acompanhado por instrumentistas não menos geniais do que os compositores citados, uma das mais belas vozes do Planeta vai preenchendo o ar da casa e minha alma.
Pela janela do apartamento de onde, oculto, espio o mundo em sua azáfama, vejo o pátio de uma escola estadual em festas juninas. Lá embaixo um grupo de crianças, organizado por uma professora, vestido de lavadeiras e pescadores fazem um círculo em torno de uma rede que imita um lago. As meninas com bacias simulam movimentos de uma lavadeira à beira de um rio que quase posso ver, os meninos de vara de pescar em punho mimetizam movimentos de um pescador a tirar o alimento da água sem suspeitar que alimentam também a alma de um poeta. O balé se dá ao som de Marisa Monte interpretando a música “Ensaboa” outrora tão bem cantada por Cartola, gênio da Estação Primeira de Mangueira.
Como beleza e tristeza são gêmeas siamesas leio na internet a notícia da morte de Jamelão, outro gênio da música, outra das mais belas vozes do Planeta. Aos 95 anos o interprete, que também é uma jóia da Estação Primeira de Mangueira, Poe ponto final à grande canção da vida.
Nascido José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão espalhou alegrias e belezas dando vida à poesia de compositores como Lupicínio Rodrigues, Dorival Caími e Guilherme de Brito, mas sobretudo à alma brasileira.
Mas não há motivo para luto. Resta a alegria de termos visto uma vida que se caracteriza pela vitalidade de um homem que, com mais de 92 anos ainda fazia shows e encantava platéias, e que se pautou pelo apreço à beleza e à harmonia da melhor música brasileira. Lá embaixo, no pátio da escola estadual as crianças continuam seu balé, sua homenagem involuntária à alegria e à fina flor da Estação Primeira de Mangueira.

domingo, 18 de maio de 2008


Escravidão

Há 120 anos atrás caia por terra o instituo da escravidão. para ser mais exato, da escravidão negra no Brasil. Muita agitação política antecedeu a lei assinada pela princesa Izabel com uma pena de ouro, o metal que moveu ambições na Europa e pôs a perder muitas vidas humanas durante o período da mineração, não só do ponto de vista concreto, mas também do ponto de vista da dignidade.
A miscigenação generalizada, motivada pelas condições de miséria em que se encontravam negros fugidos, brancos pobres e índios “desterritorializados” , assim como a Guerra do Paraguai, foi um dos principais motes do fim da escravidão no Brasil.
No plano da militância os Quilombos, a fuga de escravos, cujos preços agora eram exorbitantes - dado o fim do tráfico de escravos em 1850 – aliado ao abolicionismo que contava com figuras de peso como Nabuco e Luis Gama, causaram agitação.
No plano político os conservadores queriam manter a escravidão e os ”liberais” achavam que o regime não cumpria seu papel. D. Pedro II teve de mudar seu gabinete várias vezes pressionado pelos dois grupos políticos, que tinham muita influência.
O Golpe de misericórdia foi dado em 5 de maio de 1888, quando o comandante do exército, enviou um bilhete à princesa endeusada por ter assinado a lei. Dizia o bilhete: “O Exército não irá mais andar atrás de negros fugidos, que evitam tanto o eito quanto a desordem.” O Estado perdia a seu braço de força na luta para manter a escravidão.
Não restou à princesa opção, teve de abolir o regime.
Não há nada a comemorar, mesmo 120 anos depois. Talvez por isso o Movimento Negro tenha escolhido o 13 de maio como uma data de reflexão e protesto e não de comemoração. À escravidão se seguiu um racismo que os desavisados ainda negam ou classificam como preconceito de classe.
No plano internacional a China, país onde é comum um tipo exploração que no Brasil é classificado eufemísticamente como “regime de trabalho semelhante à escravidão”, há neste exato momento investimentos de bilhões de dólares para a realização de uma Olimpíada naquele país. Nem se pensar em um movimento mundial como o que foi erigido contra a África do Sul Racista. Mesmo no Brasil o Trabalho escravo é uma realidade recorrente.
Àqueles que, como este que vos escreve se colocam contra o racismo, legado maior da escravidão negra, resta se colocar contra todos os tipos de discriminação, mas ainda vemos na Tv (uma concessão pública, evangélicos demonizarem nossas religiões e seus seguidores, impunemente.
Na Bahia recentemente um Templo dedicado ao culto de Nação Africana foi simplesmente destruído pela prefeitura. O detalhe é que o prefeito da cidade onde estava localizado Templo é evangélico, segundo informes da imprensa. O que devemos comemorar?
Em 1888 a escravidão apenas retrocedeu alguns passos para dar lugar à neo escravidão. Já que a idéia de estado mínimo e a burocracia estatal gera o desemprego, salários aviltantes e condições desumanas de moradia, como a senzala durante os séculos de escravidão.
Neste momento de reflexão estou cada vez mais convencido de que a militância é nossa única saída.
A princesa Izabel assinou uma lei que veio ao encontro de grandes produtores brasileiro já abastecidos pela mão de obra imigrante, que ao chagar aqui também foi tratada como escrava, mas que aos poucos foi se colocando em lugar mais digno. Mas qual o legado da escravidão? A miséria a exclusão e o racismo. Mais do que nunca é hora de exigirmos igualdade de oportunidades.
Somos todos Espírito, somos iguais em espírito, temos de conquistar nossa emancipação social e política. Que ainda parece estar muito distante da Sociedade atual.

Hilário Bispo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Samba e sarau