sexta-feira, 18 de novembro de 2011

De volta ao trabalho



Depois de uma parada para renovação o Reverso voltou.
Apesar de ainda estarmos em reforma voltamos com mais vigor.
Sejam bem vindos.
O Reverso está de volta

terça-feira, 8 de julho de 2008

DEMOCRACiA E A LIBERDADE DE EXPRESSÃO



Esta semana os professores da rede pública estadual suspenderam um greve que durou 19 dias, embora estejam ainda em estado de greve e em negociação com o Governo Paulista.
A publicação do decreto 53037, que trata da contratação temporária de professores, da remoção entre escolas e das faltas ao trabalho por parte destes profissionais levou os docentes à greve.
Impressiona o fato de a sociedade braseira vir ultimamente fazendo o discurso de que o Brasil precisa de Educação, e, mesmo assim, a greve não ter merecido, sobretudo por parte da imprensa, uma reflexão mais funda, que permitisse ao cidadão um posicionamento e, principalmente, certo conhecimento sobre por que caminhos trafega a política educacional do Governo de plantão. Não fosse pelos transtornos causados, ao já caótico trânsito na cidade de São Paulo, o movimento dos professores talvez não tivesse conquistado nenhuma linha na imprensa, nem um segundo nas pautas de rádio e TV. Um evidente paradoxo.
Naturalmente os professores reinvidicam mudanças no decreto para fruírem da liberdade de escolherem escolas cujo projeto pedagógico mais lhes seja azado, para que a estrutura estatal possa absorver os professores temporários, que já atuam na rede, através de concurso apropriado a este fim e sobretudo pelo direto de tratarem adequadamente de sua saúde quando a mesmas se encontrar prejudicada.
Por mais estranho que possa parecer o Governo Serra tem tentado impedir que os professores exerçam o sagrado direito de se ausentarem do trabalho para tratamento de saúde, já que o decreto em questão sanciona professores que tiverem mais de dez falta de qualquer natureza, que gozem de qualquer tipo de licença (inclusive licença médica, licença prêmio, licença nojo); o que fere frontalmente o direito do trabalhador, para não falar no direito da pessoa.
Ao regulamentar a possibilidade de contratar funcionários temporários por meio de concurso público para a Educação, o Governador ignora que a formação do docente se dá também no exercício do trabalho, na elaboração e aplicação de projetos pedagógicos em casa escola e também pelos cursos de formação. Trata-se portanto de uma formação de longo prazo, a que os trabalhadores temporários não terão acesso, configurando-se assim em trabalhadores de segunda classe, sem o direito à estabilidade e perspectiva de carreira. Ou seja, de todas as formas, os professares da rede pública estadual vão sendo aos poucos coisificados pela atual administração, cabe notar ainda, que o correligionário político do Governador e Alcaide da cidade mais rica e populosa do país já lhe segue os passos.
Na prática o Estado abandonou por vários séculos importante parcela da população, aquinhoando-as com a falta de saneamento básico, de acesso à saúde ao transporte público digno de seres humanos, e a falta de perspectivas pessoais e profissionais, e espera atualmente que a escola, superlotada e com seus professores amordaçados pela força da lei e pela burocracia possa arranjar esta situação.
O célebre educador Paulo Freire, citado e recitado por políticos que fazem da Educação pública máquina de geração de votos por meio de uma política de marketing, dizia que educar é humanizar, mas onde está o status de pessoa, de sujeito do aprendizado de que deve gozar os professores?
Chama a atenção a apatia da sociedade brasileira e da mídia diante de tão graves questões, da tentativa pelo Governo do estado de São Paulo de maquiar a desumanidade a que são legadas crianças que freqüentam as salas de aula nem sempre conseguindo lograr sucesso, ao cupabilizar os professores pela falência de sua política educacional.
Suspensa a greve da rede pública estadual de ensino, resta-nos questionar aos nossos botões, mas também aos nossos vizinhos, aos nosso concidadão, que projeto de educação defendemos nós, uma nação que pretende galgar os degraus da igualdade e do desenvolvimento (sobretudo humano). Se o professor não ocupa lugar central em nosso projeto de educação e de sociedade, que papel ele deve desempenhar? O de doente, deprimido e amordaçado? O de portador de diversas síndromes de etiologia pscicoemocionais por lidar com salas de aulas superlotadas e pela frustração de não poder humanizar em sala de aula crianças desumanizadas pelo abandono do poder público? Qual o nosso papel na construção desta sociedade ?
Independentemente das respostas, resta-nos a alegria de ter podido verificar que aqueles que se dedicaram anos à fio para se prepararem e, assim, entregarem-se ao preparo de nossos filhos tiveram a dignidade de irem a luta pelo direito de serem pessoas, de humanizarem a atividade humanizadora da educação. Quanto a nós, estamos exercendo o silêncio que sempre se manifesta nos regimes de força como no Nazismo alemão, e em tantas ditaduras em todo o mundo.
Viva a liberdade de expressão e a cidadania brasileiras.

Hilário Bispo
Escritor e Jornalista

terça-feira, 24 de junho de 2008


Ocaso de Outono

Numa tarde de ocaso do outono banho a alma com belezas ao ouvir Milton Nascimento interpretando entre outros gênios brasileiros da composição, Catulo da Paixão Cearense e Edu Lobo e Chico Buarque, além de composições próprias. Acompanhado por instrumentas não menos geniais do que os compositores citados, uma das mais belas vozes do Planeta vai preenchendo o ar da casa e minha alma.
Pela janela do apartamento de onde, Oculto espio o mundo em sua azáfama, vejo o pátio de uma escola estadual em festas juninas. Lá embaixo um grupo de crianças, organizado por uma professora, vestido de lavadeiras e pescadores fazem um círculo em torno de uma rede que imita um lago. As meninas com bacias simulam movimentos de uma lavadeira à beira de um rio que quase posso ver, os meninos de vara de pescar em punho mimetizam movimentos de um pescador a tirar o alimento da água sem suspeitar que alimentam também a alma de um poeta. O balé se dá ao som de Marisa Monte interpretando a música “Ensaboa” outrora tão bem cantada por Cartola, gênio da Estação Primeira de Mangueira.
Como beleza e tristeza são gêmeas siamesas leio na internet a notícia da morte de Jamelão, outro gênio da música, outra das mais belas vozes do Planeta. Aos 95 anos o interprete, que também é uma jóia da Estação Primeira de Mangueira, Poe ponto final à grande canção da vida.
Nascido José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão espalhou alegrias e belezas dando vida à poesia de compositores como Lupicínio Rodrigues, Dorival Caími e Guilherme de Brito, mas sobretudo à alma brasileira.
Mas não há motivo para luto. Resta a alegria de termos visto uma vida que se caracteriza pela vitalidade de um homem que, com mais de 92 anos ainda fazia shows e encantava platéias, e que se pautou pelo apreço à beleza e à harmonia da melhor música brasileira.Lá embaixo, no pátio da escola estadual as crianças continuam seu balé, sua homenagem involuntária à alegria e à fina flor da Estação Primeira de Mangueira.

Ocaso de Outono

Numa tarde de ocaso do outono banho a alma com belezas ao ouvir Milton Nascimento interpretando entre outros gênios brasileiros da composição, Catulo da Paixão Cearense e Edu Lobo e Chico Buarque, além de composições próprias. Acompanhado por instrumentistas não menos geniais do que os compositores citados, uma das mais belas vozes do Planeta vai preenchendo o ar da casa e minha alma.
Pela janela do apartamento de onde, oculto, espio o mundo em sua azáfama, vejo o pátio de uma escola estadual em festas juninas. Lá embaixo um grupo de crianças, organizado por uma professora, vestido de lavadeiras e pescadores fazem um círculo em torno de uma rede que imita um lago. As meninas com bacias simulam movimentos de uma lavadeira à beira de um rio que quase posso ver, os meninos de vara de pescar em punho mimetizam movimentos de um pescador a tirar o alimento da água sem suspeitar que alimentam também a alma de um poeta. O balé se dá ao som de Marisa Monte interpretando a música “Ensaboa” outrora tão bem cantada por Cartola, gênio da Estação Primeira de Mangueira.
Como beleza e tristeza são gêmeas siamesas leio na internet a notícia da morte de Jamelão, outro gênio da música, outra das mais belas vozes do Planeta. Aos 95 anos o interprete, que também é uma jóia da Estação Primeira de Mangueira, Poe ponto final à grande canção da vida.
Nascido José Bispo Clementino dos Santos, Jamelão espalhou alegrias e belezas dando vida à poesia de compositores como Lupicínio Rodrigues, Dorival Caími e Guilherme de Brito, mas sobretudo à alma brasileira.
Mas não há motivo para luto. Resta a alegria de termos visto uma vida que se caracteriza pela vitalidade de um homem que, com mais de 92 anos ainda fazia shows e encantava platéias, e que se pautou pelo apreço à beleza e à harmonia da melhor música brasileira. Lá embaixo, no pátio da escola estadual as crianças continuam seu balé, sua homenagem involuntária à alegria e à fina flor da Estação Primeira de Mangueira.

domingo, 18 de maio de 2008